A ternura dos 40
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Com a chegada da tão temida ternura dos quarenta, já tenho ouvido várias pessoas, em tom de conforto, dizerem-me que os atuais quarenta são os novos trinta. Realmente, aquilo até faz sentido. Não me sinto nada quarentona. Esta palavra atira-me, imediatamente, para imagens muito pouco excitantes. Tal como diz a minha amiga Ana, “depois dos 40, se te levantares de manhã, e não sentires dor nenhuma, é porque morreste. “
Mas será que são os novos trinta, espirituais e psicológicos, ou os novos trinta físicos? Estamos a falar de mulheres que, entre os quarenta e cinquenta anos, têm um espirito mais jovem, mais descontraído, mais louco, ou mulheres, que na casa dos quarenta, tendem a ter um corpo, postura, mais jovem? [falo das mulheres, porque os homens, esses, ficam claramente nos novos e antigos quinze anos. ] Nada disso. Os novos trinta também são para vocês, homens. Mais vale pensarem que têm trinta, do que chegarem à crise dos quarenta, e acharem que são o Tom Cruise, versão TOP GUN.
Bem, mas a verdadeira duvida sobre esta questão, está relacionada com um gráfico que anda a pairar na minha cabeça. Um gráfico que a dada altura se auto destrói, como as instruções da Missão Impossível. Então: se as atuais crianças já não o podem ser, porque são os novos pré-adolescentes, com todas as responsabilidades que dai advêm; se os pré-adolescentes já não o podem ser, porque são os novos jovens, rodeados com a loucura desta fase; se os jovens já não o podem ser, porque são os recentes adultos, com toda a carga de responsabilidade desta coisa de ser adulto; pergunto: em que ponto do gráfico começa a haver a regressão? Será que chegamos aos quarenta, olhamos para trás, e vemos que andámos depressa demais? Será que os novos trinta são a vingança do tal aceleramento? Será aí, o ponto, em que o gráfico muda de direção?
Beijinhos