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Helgarias

Tenho 20 seguidores fieis no meu FB. Acho que dá para ter um Blog. Sejam bem-vindos! Beijinhos.

Helgarias

Tenho 20 seguidores fieis no meu FB. Acho que dá para ter um Blog. Sejam bem-vindos! Beijinhos.

Momentos de prazer

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Vá, parem lá com isso, suas mentes perversas. Não é nada disso, ok?

Estava indecisa se intitulava este texto de “ momentos de prazer” ou de “momentos de gosto”. Sim, porque a primeira vez em que pisei um local de trabalho – há quase 20 anos – disse, em conversa, ” muito prazer”. Houve alguém que se indignou e advertiu-me somente para isto: “ Helga, tu não tens prazer com as pessoas - referindo-se ao ter prazer sexual- ,diz antes: muito gosto”. Na altura só me ocorreu responder “coitada.” Mas não respondi.

 Fiquei tão traumatizada, que ainda hoje digo “muito gosto”, mesmo não concordando. Bem, não vou divagar por questões de linguística e históricas, até porque já é tarde e estou de rastos.

Momentos de prazer. Continuo a afirmar que a minha felicidade é construída com coisas muito, mas mesmo muito pequeninas. E são os momentos que fazem essas coisas pequeninas. Sou louca por pequenos momentos. Pequenos , espontâneos, mas bons ( a língua portuguesa é muito traiçoeira). Um dia destes, numa das minhas idas à manicure, dei por mim a pensar: “Opá, que bom!” E não, não eram as unhas giras trabalhadas nas minhas mãos. Simplesmente, naquele momento em que estou com a minha querida Kelly, um momento tão “normal”, a vida vale tão a pena. Aquela hora que passo ali dentro, numa sala de 4 metros quadrados, com o rádio a tocar, é uma hora de pura alegria. Esquece-se o stress, apagam-se as dificuldades da vida, desvanecem-se as saudades, arruma-se os desamores, dilui-se tudo o que deve ser diluído no esquecimento. A Kelly e eu rimos. Simplesmente rimos. Rimos e rimos e rimos e rimos. De quê? Por tudo e por nada. Que bom. Um momento, pequeno e espontâneo do nosso dia. Tinha tudo para ser um momento de sofrimento só para ter umas unhas giras, não tinha? Mas comigo, não! Tive a sorte de encontrar uma brasileira que ama a vida. Eu amo a vida. Está feito. Cada vez mais, agarro todos os pormenores que me fazem feliz. Cada vez mais, olho para os segundos da minha vida e não para as horas ou para os dias. Cada vez mais, sinto o olhar das pessoas, e cada vez menos as atitudes. Cada vez mais, gosto da vida construída pelos momentos espontâneos, e cada vez menos da vida construída em mera gestão de empresa.

Por isso, venham mais momentos, pequenos, espontâneos, mas de puro prazer.

Beijinhos.

Os “pseudointelectuais”

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Pseudointelectuais, é assim que se escreve? Não quero cometer muitos erros, num texto onde a palavra “ intelectuais”, está enunciada. Uiiii! Medo. Já há muito que associo a palavra “ intelectual” a gente de m . Se calhar está errado. Segundo a  Wikipédia, o termo “intelectual” “deriva do latim tardio intellectualis, adjetivo que indica aquilo que, em filosofia, diz respeito ao intelecto na sua atividade teórica, ou seja, separado da experiência sensível - esta considerada como de grau cognitivo superior. “

(  Sendo assim, acredito que não haja apenas gente de m. Acho.)

Voltando ao significado, muita atenção à ultima parte: “… grau cognitivo superior” . É aqui que esta palavra se escarrapacha ao comprido. É que há muita gente a querer ser, ou parecer, de grau cognitivo superior. Até acho bem,  tentar evoluir e crescer, mas  não tenham a  pretensão de acharem que têm a razão absoluta de tudo. A malta é livre de gostar, de criticar positiva ou negativamente mas, acima de tudo, é livre de consumir ou não. A liberdade de consumo, é a liberdade dos verdadeiros intelectuais. Deixando conceitos de parte, a malta que opina, que estuda, que investiga, que, verdadeiramente tem cultura, toma apenas duas opções : ou consome ou não consome. Não perde tempo a tentar destruir aquilo de que, aparentemente, não gosta.  Na música, no teatro, na literatura, há que estar sempre presente a palavra “liberdade” e nunca a palavra “intelectual”. O País, o mundo, evolui com a variedade e com a liberdade de escolha. O país, o mundo, não evolui com o castrar daquilo que não se gosta ou que não se concorda. Não percam tempo a vestirem a pele de “intelectuais”, para poderem cometer” fraudes intelectuais”. Escolhamos livremente o que nos faz feliz. Respeitem a Liberdade de escolha, em tudo!

 Beijinhos

Rápido! Dispam-se!

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Sabem aqueles momentos irritantes em que uma pessoa chega a casa, descalça-se, veste uma roupa, simultaneamente confortável, horrorosa e imprópria para o domicílio, passa pelo cesto da roupa suja, que mais parece o monte Everest, e lembra-se: “não tenho detergente para a máquina da roupa.”

 Em quase agonia profunda, pensa: “que se lixe, compro amanhã. Não me vou vestir novamente. “ E volta a refletir: “acho que vou precisar de roupa que está no monte.“ Desespero total: “estou de rastos. Não me apetece.”

Solução: esperar que o Rui chegue, e dizer-lhe que me lembrei, naquele preciso segundo em que ele entra dentro de casa, que preciso do detergente. Depois, aproveito a boa vontade dele e espeto-lhe com o saco do lixo para ir pôr no contentor. Perfeito.

Este pequeno episódio fez-me recordar um casal, amigo dos meus pais, em que ambos odiavam cozinhar. A regra destas duas almas era: quem chegasse primeiro adiantava o jantar, e uma ou outra coisa pendente. Pois bem, premeditadamente, começaram os dois a chegar cada vez mais tarde e a prolongar a estadia no trabalho, apenas para não terem que começar a avançar com o serviço. Surreal, não? Mas a verdade é que esta brincadeira tomou proporções menos agradáveis.

Não indo até esse ponto, existem aquelas situações mais leves, como ir comprar pão. Chegamos à noite e constatamos que não temos pão para o pequeno-almoço. Faltam dez minutos para o supermercado fechar. Olhamos, num rasgar de olhos, um para outro, e tentamos perceber quem vai demorar mais tempo a arranjar-se para sair. Por isso, fica aqui um conselho para as minhas AMIGAS: vistam imediatamente o pijama! Os fatos a nosso favor: temos sempre mais roupa para vestir e despir. Por norma, temos pernas mais curtas e, como tal, demoramos mais tempo a chegar ao supermercado. Já está quase de noite e uma lady não pode andar na rua a tarde e más horas.

 Por isso, resumidamente, compras de última hora, com exceção de: sapatos, malas, roupas , relógios e perfumes, são sempre feitas pelos senhores nossos maridos.

Beijinhos.

Missão a tempo inteiro

 

 

Já não é a primeira vez que ouço falar na expressão “mãe a tempo inteiro”. Normalmente associada a mães - e cada vez mais pais- que optaram por ficar em casa, dedicando mais tempo aos seus filhos. Nada contra. Pelo contrário. Mas irrita-me a expressão. Os pais, com trabalho dito “normal”, serão pais a tempo parcial? Huumm, não me parece. Têm menos tempo para os seus filhos? Muito possivelmente. Mas nunca vão ser pais a tempo parcial. Falando das mães – porque me toca especificamente -, as verdadeiras mães são sempre a tempo inteiro. A palavra mãe significa “TEMPO INTEIRO”. Os meus filhos têm-me, e irão ter-me sempre, a tempo inteiro. Eu sou deles e eles são meus, a tempo inteiro.

O amor será a tempo inteiro. Os sacrifícios por eles serão a tempo inteiro. As “zangas” serão a tempo inteiro. Se gostávamos de ter mais tempo para eles? Mais horas? Mais minutos? Mais qualidade de vida? Claro que sim! Quero muito. Mas serei sempre mãe a tempo inteiro. Todas nós seremos mães a tempo inteiro. Vocês, amigas, amigos, desconhecidas, desconhecidos, mães, pais deste mundo, têm todos a vida preenchida com um trabalho a tempo inteiro. E esse nunca deixará de o ser.

Sermos pais a tempo inteiro, depende única exclusivamente de nós. Não depende dos empregos, da sociedade, dos outros.

Eu, diariamente, esforço-me para a ser a mais competente, a mais eficaz e a mais lutadora, nesta missão a tempo inteiro. Boa sorte para nós!

Beijinhos.

Há dias assim.

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Uma coisa, é haver dias assim. Outra coisa, é haver muitos dias assim. Dias angustiantes, sufocantes. Dias em que pões tudo em causa, até a roupa que vestiste.

Ai que sufoco. O que é isto que me rodeia? Quem são estas pessoas? O que é isto que me cai todos os dias nas minhas rotinas? Estranho. É tudo tão giro e tão dinâmico e tão…enfadonho. Incoerente. É isso. Hoje estou incoerente. Mas deve ser só hoje. O mau feitio demora pouco. 

Há pessoas que gerem incrivelmente bem as suas incoerências e as suas frustrações. Eu não consigo. E o problema é só esse. A incapacidade de gerir frustrações e incoerências. Tenho nota 0 em gerir tudo o que me cai mal. Mas tenho nota 10 em recomeçar tudo de novo.

´Bora lá recomeçar tudo de novo. Como? Não sei. Mas tenho nota 10. Tenho que fazer valer a minha nota.

Beijinhos.

 

SNOOZE

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Nesta altura do campeonato, em que me deito às tantas e me levanto com as galinhas, há uma palavra que todos os santos dias me atormenta: SNOOZE.

Não sei muito bem o que pensar desta função de grande parte dos alarmes \ despertadores.  Na realidade, ela permite-me estar mais 10 minutos ( tempo que estimei para o meu snooze) a dormir. E mais 10 minutos. E mais 10 minutos. E mais 10 minutos, até já ter chegado a quase 50 minutos de snooze. Neste momento, estou uma snoozeodependente. Neste momento, porque sei que não me levanto imediatamente ao toque do despertador, tenho o despertador pronto para atacar 1 hora antes do necessário, porque sei que só ao fim de 1 hora me consigo levantar, depois de trinta ou quarenta vezes a snoozar.

Snoozar ou não snoozar? Eis a questão. Lembrei-me disto porque li num artigo – daqueles estudos mega, ultra fiáveis – que as pessoas que se levantam logo a seguir ao despertador tocar são as mais bem sucedidas a todos os níveis. Fazem mesmo referência àquelas pessoas que snoozam vezes sem conta até se levantarem, tipo “ah coiso e tal, mas são uns falhados, e gente sem graça, e uns deprimidos”

Bem, sendo assim, vou tentar reduzir as minhas doses diárias de snooze e tentar snoozar-me menos vezes. Já não se pode ter sono. Até isso já é considerado droga ilícita. Chiça!

Beijinhos. 

Uma viagem de autocarro

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Para quem não anda de transportes públicos, este texto vai ajudar um pouco a perceber o quanto pode ser divertida uma viagem de autocarro. Desde que subo as escadas, com os meus saltos altos, até ao momento em que me consigo encaixar, num minúsculo lugar, ao lado de alguém que ocupa os dois, tudo pode acontecer.
Ontem, tive a sensação de estar a ser figurante de uma serie do syfy. Subo as escadas, ponho o passe na maquineta e dá-me sinal vermelho, ou seja, documento inválido. Passo novamente, vermelho. Passo a terceira vez, vermelho. Uma velhota, igual à bruxa má que dá a maçã envenenada à branca de neve, tira-me literalmente o passe da mão e passa ela o cartão pela máquina: verde. Pronto. Sorte de bruxa. Eu, com pouca vontade, agradeço. A Bruxa, vira costas e senta-se com má cara. Weird.
Começo a andar por dentro do autocarro para descobrir o melhor sítio para me sentar. "Tudo ocupado. Não pode ser. Os meus pés não vão aguentar. Os saltos , os solavancos, a mochila do PC, a mochila da ginástica, a mala. Ai. Respira fundo Helga. Tu consegues. Quando a minha esperança começa a desvanecer-se, eis que avisto um lugar lá bem no cantinho.
O autocarro começa a andar. Eu, com as minhas 550 coisas na mão, prevejo que não vai ser fácil de alcançar aquela ilha paradisíaca, aquele pedaço de autocarro, aquele SPA, aquele lugar onde, finalmente, podia descansar os meus pés.
Primeiro obstáculo: dois carros de bebés. Viro de um lado, levanto do outro, espreme da direita, espreme da esquerda e lá consigo passar.
Segundo obstáculo: um Senhor, com um cheiro, digamos, nauseabundo, que se encontra precisamente no meio das três escadas internas. Escadas essas, por onde tenho que passar, para alcançar o meu pedacinho do céu. Não quero tocar no senhor. O senhor não percebe que eu preciso de passar. Espero uns segundos. Olho para as pessoas que estão por perto, com esperança que o avisem. Mas acredito que ninguém quer provocar no homem qualquer tipo de movimento. O cheiro espalhar-se-ia mais. Tem mesmo que ser: eu, com o meu dedo indicador, toco no ombro do senhor. Ele vira-se. Está justificado o silêncio das restantes pessoas. Bem, lá consigo passar, mas sem antes, ouvir o seguinte grunhir: “ parece que vai acampar.”
Respiro fundo, novamente. Ao chegar ao lugar – que ficava do lado da janela - deparo-me com uma senhora- sentada no lugar ao lado, com um sorriso literalmente de gozo. Sorrio, também. Inclino-me, mostrando a minha intenção de me sentar.
A senhora dá uma gargalhada silenciosa. Eu explico o que é uma gargalhada silenciosa. É uma gargalhada, que se nota pelas maminhas de 20 Kilos cada uma, a mexerem-se para baixo e para cima, mas sem emissão de qualquer som. Ainda bem. Caso contrário, já eram dois grunhidos. E não, não estou a ofender a senhora. Estou, simplesmente, a manifestar a minha irritação pelo facto desta querida ocupar dois lugares com: cebolas, batatas, couves, peixe, e pareceu-me, bananas, olhar para mim, e perceber que, no meio daqueles apertos, era impossível sentar-me no meu pedaço do céu, era impossível levar a cabo todas as diligências para poder ocupar aquele lugar. Claramente, ela deve ter visto o meu esforço épico para chegar ali e reparou, de certeza, na minha cara de frustração quando me deparei com o Continente inteiro , num só banco.
Respira fundo Helga.
Para terminar em beleza a minha frustração, ouço uma criança a dizer: “papá, porque é que esta senhora vem tão carregada? “
Resumindo: O resto da semana vou de carro, para esquecer.
Beijinhos

Sonhar ou imaginar?

 

 

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Hoje, deu-me para pensar na Imaginação. 

Numa simples conversa com uma amiga, a palavra imaginação apareceu várias  vezes. O seu sentido caminhava sempre ao lado daquilo que poderia ser um sonho. Mas não. Não  se confundiam. E percebo porquê. O sonho é, e será sempre, intocável, inviolável, infinito. A Imaginação, não. A imaginação, em qualquer cenário, tem um fim. Imagina-se e imagina-se e imagina-se, mas se não tornamos isso num sonho, facilmente aquilo que imaginámos desaparece. 

Quem é que não imagina, apenas por imaginar?  Apenas por ter preguiça de ir mais além na sua vontade?

A imaginação pode ser tão boa, mas tão boa, que se torna perigosa. Um sonho, não. Nunca será perigoso. Os sonhos tomam conta de nós, vão acompanhar-nos o resto das nossas vidas. Quando sonhamos, assumimos os riscos, assumimos todas as tempestades que daí advenham. Quando deixamos os sonhos entrarem na nossa vida, ui, já fomos.

A boa da imaginação é inofensiva. Tadita, é orgasmo de curta duração. Dá prazer, mas não nos preenche. 

Sonhem muito. Usem a imaginação para construir os maiores sonhos da vossa vida.

Beijinhos

 

 

As panelas e as tampas

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De há uns tempos para cá, tenho dado cada vez mais importância àquela cena da “ panela e da tampa”, conhecem? Nunca ouviram aquela expressão que se diz: “ Há sempre uma tampa para cada panela”? A minha mãe dizia-me sempre isso quando eu ficava deprimida por causa de algum rapaz não querer namorar comigo ou, simplesmente, quando não me ligava nenhuma. Descobri assim o verdadeiro significado de levar uma tampa.Tampas, a sabedoria maternal a funcionar, que não serviam aqui para esta panela. E minha mãe tentava dar-me sinais de esperança e, de certa forma, procurava ensinar-me a travar intenções alheias, menos respeitosas; no fundo, a história da panela e da tampa tinha um único sentido possível: um dia iria encontrar a pessoa certa.
E aqui está a questão: as pessoas certas! A lenda da panela com tampa adequa-se na perfeição às amizades, aos relacionamentos, aos casos desta vida. Há atitudes e comportamentos que, efectivamente, tomam dimensões diferentes. Pode dar-se estarmos com as tampas das nossas panelas, ou estarmos com as tampas das panelas dos outros. A nossa maneira de ser, feitio, ego, humor, tem de encaixar na maneira de ser, feito, ego, humor das pessoas com quem nos damos. Isto para que não façamos figuras de ursos. Isto ,para que eu não faça figura de ursa.
Cada pessoa tem a noção de que a pessoa A, B, C não entra na cozinha da outra. Existem vários exemplos que, tenho a certeza, todos nós passamos por eles, e que nos encaminham para as tampas ou panelas certas. Esta semana deparei-me com um: deixo os meus príncipes na escola, encontro duas mães e desabafo com elas, num tom completamente louco, desequilibrado e desesperado , a minha manhã tortuosa até chegar à escola. Quando pergunto: “Acham normal?”, ambas soltam uma gargalhada em simultâneo e admitem que alguns cenários, animalescos e desesperantes, também lhes acontecem. Dizem-no com um tom perfeitamente normal e perfeitamente enquadrado na minha controlada loucura matinal. São, portanto, pessoas com um trem de cozinha igual ao meu.
Há, depois, os exemplos contrários. O Rui e eu estivemos, hás uns dias, num encontro com umas pessoas com tínhamos tido um ou dois contactos esporádicos. Sabe, quem nos conhece, que gostamos muito de nos armar em engraçadinhos e, às vezes, basta um sorriso mais solto dos nossos interlocutores para nos entusiasmarmos. Não sei porquê, não sei como, a conversa derivou para a comida e para locais onde se pode comer à grande. Alguma das ditas pessoas falou do Chimarrão. O Rui, animado, não perdeu tempo e soltou esta: “olha, Chimarrão rima com…”. Fiquei para morrer. Abri-lhe os olhos de tal forma, como que a dizer-lhe: “amor, pára. Esta malta não vai perceber e, muito menos, achar graça.” Mas ele, ainda animado, insistia nos momentos poéticos: “e depois há a Rexona que rima com…” Ao estado de quase morte, eu reagia com um sorriso à princesa medieval, daqueles sorrisos que não mostram os dentes. Tentava, desesperadamente, avisá-lo. Not! Pára!. E ele ria, ria, ria. Ria e afirmava: “oh amor, são coisas da natureza.” E foi, naquele momento que percebi que, aquelas pessoas - queridas, mesmo muito queridas - , nem sequer usavam tampas nas panelas. Percebem a gravidade?
Quantos de vós não tiveram situações, junto de pessoas (nem piores nem melhores do que vocês, simplesmente diferentes), em que aquela gargalhada, piada, discurso ,manifestação, vai queimar o inox da vossa panela? Quantas vezes temos que comprar panelas ou tampas de baixa qualidade? Pois é, aquilo que tentamos fazer aqui por casa, é adquirir as boas panelas e boas tampas: aquelas que não pegam, não queimam e vão ao frigorífico.

Beijinhos

Vida de um casal (a)normal

Trinta e nove. Daqui a menos de um mês já são trinta e nove. Sim, Rui Mendonça, trinta e nove. E ainda não estou nos entas, como certas pessoas.
A caminho das escolas dos miúdos, perguntava-me o Rui, o que é que eu ia fazer nos meus anos, numa tentativa de conseguirmos programar alguma coisa com antecedência, como se isso fosse possível, programar coisas com antecedência. Nas minhas respostas, sempre rápidas, invariavelmente misturadas com vários assuntos, larguei a possibilidade de um jantar ou de um almoço. Sim, a ordem de prioridades é esta mesmo: um jantar ou um almoço. E a vida acontece num talvez instantâneo, O assunto mudou, à mesma velocidade com que lhe disse que sim, há nove anos, que casava com ele. Variei o flanco da conversa para o pagamento do ATL do nosso filho. Claro que não tínhamos pago. Era o início do campeonato dos esquecimentos.

Ele: Olha, e esquecemo-nos de pagar o aviso (sim, aviso) da conta do gás.
(A vida acontece num suspiro instantâneo)
Eu: Olha, e eu esqueci-me da bata do João em cima da nossa cama.
Ele: Então e agora?
Agora, ficou decidido, ele levaria a bata à escola e eu pagaria a conta na hora do almoço, com o devido telefonema para a companhia do gás, para certificar-me de que não iria passar o resto do semana a banhos de água de fira.

João e Laura entregues.

Atrasados, o costume. Próximo passo: dentista, o meu. Ainda a tempo de chegar às consultas de urgência. Peço ao Rui que fique comigo. Tento ser romântica e disparo com esta: “há dores que doem menos contigo ao meu lado.” Na verdade, não disse. Só pensei. Achei parvo demais para aquele momento. Há coisas que são parvas demais – seres romântica, num dentista, é uma delas. Pelo bufar, entendi que ele estava mesmo aflito, e tinha de ir para casa preparar o programa da noite.
Entretenho-me nas trezentas mil horas de espera – e a dor de dentes, também – com as notícias que passam na televisão. Percebo que há greve no Metro (isto ainda é notícia?). Não pode ser. Como iria sair dali para o trabalho? Opções , opções , opções , opções. Primeira e única, talvez: ligar ao Rui. Interrompo-lhe os afazeres para desabafar contra os tipos do metropolitano e, sem vontade de pensar, procuro aconselhamento, procuro saber o que fazer. Resposta, única, óbvia: apanha um táxi, boa? Resposta, única, óbvia, antecedida de um palavrão.
E pronto. Grande dificuldade resolvida.
Despachada do dentista, apanho o táxi e chego ao trabalho a tarde e a más horas. Como se houvesse boas horas para chegar ao trabalho…Problema, outro: quem iria buscar o João? E eu não podia sair tão cedo. Que mau aspecto : chegar tarde e sair cedo. Solução: Rita e Ricardo. Problema resolvido, e com pacote completo: buscar, lanchar, passear, brincar, entregar em casa. Obrigada queridos amigos.
Dia de trabalho, fim. Velocidade ultra-sónica, à boleia do meu amigo Franclim, num carro XPTO. E a vida acontece num UAU instantâneo. Chego à escola da Laura. Chego a casa. João chega a casa. Finalmente, os meus meninos estão comigo. Banhos, jantares, refilices, resmunguices, acoitisses, castiguices. Finalmente, os meus meninos sentados, os dois , no sofá. Dentes mal lavados, mas com o objetivo cumprido : calados.

Sento -me com eles a ver a parva da Violeta e misturamos alguma conversa sobre as escolas de ambos. Com os olhos a suplicarem-me por fecho de expediente, liga-me o Rui, e em modo acelerado. Trabalho a pingar e quase a entrar para estúdio. Diz que me ama e pergunta como estão a correr as coisas em casa. A vida acontece numa resposta instantânea que se apenas se pensa: " eu amo-te, amor. E as coisas estão calmas.” Estive quase, mas fui subitamente interrompida por uma solicitação choramingosa do João: queria fazer cocó e estava muito aflitinho. Respirar fundo, responder ao Rui: " amor, amo-te muito. Já te ligo... O João está em stress por causa do cocó." A vida avança ao ritmo de uma vontade de fazer cocó.” A última coisa que ouvi do meu marido, nesse dia: "falamos, então, amanhã, bebé. Vou agora para estúdio."
Pois é: desde que haja sempre um amanhã, que Deus nos dê forças para irmos em frente; desde que haja sempre um amanhã, que tenhamos muitos mais stresses nesta vida. Cabeça erguida, soluções na cabeça, muito amor mas, acima de tudo, vontade de seguir.

Beijinhos.

( texto escrito em Março 2015)

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