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Helgarias

Tenho 20 seguidores fieis no meu FB. Acho que dá para ter um Blog. Sejam bem-vindos! Beijinhos.

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Vida de um casal (a)normal

Trinta e nove. Daqui a menos de um mês já são trinta e nove. Sim, Rui Mendonça, trinta e nove. E ainda não estou nos entas, como certas pessoas.
A caminho das escolas dos miúdos, perguntava-me o Rui, o que é que eu ia fazer nos meus anos, numa tentativa de conseguirmos programar alguma coisa com antecedência, como se isso fosse possível, programar coisas com antecedência. Nas minhas respostas, sempre rápidas, invariavelmente misturadas com vários assuntos, larguei a possibilidade de um jantar ou de um almoço. Sim, a ordem de prioridades é esta mesmo: um jantar ou um almoço. E a vida acontece num talvez instantâneo, O assunto mudou, à mesma velocidade com que lhe disse que sim, há nove anos, que casava com ele. Variei o flanco da conversa para o pagamento do ATL do nosso filho. Claro que não tínhamos pago. Era o início do campeonato dos esquecimentos.

Ele: Olha, e esquecemo-nos de pagar o aviso (sim, aviso) da conta do gás.
(A vida acontece num suspiro instantâneo)
Eu: Olha, e eu esqueci-me da bata do João em cima da nossa cama.
Ele: Então e agora?
Agora, ficou decidido, ele levaria a bata à escola e eu pagaria a conta na hora do almoço, com o devido telefonema para a companhia do gás, para certificar-me de que não iria passar o resto do semana a banhos de água de fira.

João e Laura entregues.

Atrasados, o costume. Próximo passo: dentista, o meu. Ainda a tempo de chegar às consultas de urgência. Peço ao Rui que fique comigo. Tento ser romântica e disparo com esta: “há dores que doem menos contigo ao meu lado.” Na verdade, não disse. Só pensei. Achei parvo demais para aquele momento. Há coisas que são parvas demais – seres romântica, num dentista, é uma delas. Pelo bufar, entendi que ele estava mesmo aflito, e tinha de ir para casa preparar o programa da noite.
Entretenho-me nas trezentas mil horas de espera – e a dor de dentes, também – com as notícias que passam na televisão. Percebo que há greve no Metro (isto ainda é notícia?). Não pode ser. Como iria sair dali para o trabalho? Opções , opções , opções , opções. Primeira e única, talvez: ligar ao Rui. Interrompo-lhe os afazeres para desabafar contra os tipos do metropolitano e, sem vontade de pensar, procuro aconselhamento, procuro saber o que fazer. Resposta, única, óbvia: apanha um táxi, boa? Resposta, única, óbvia, antecedida de um palavrão.
E pronto. Grande dificuldade resolvida.
Despachada do dentista, apanho o táxi e chego ao trabalho a tarde e a más horas. Como se houvesse boas horas para chegar ao trabalho…Problema, outro: quem iria buscar o João? E eu não podia sair tão cedo. Que mau aspecto : chegar tarde e sair cedo. Solução: Rita e Ricardo. Problema resolvido, e com pacote completo: buscar, lanchar, passear, brincar, entregar em casa. Obrigada queridos amigos.
Dia de trabalho, fim. Velocidade ultra-sónica, à boleia do meu amigo Franclim, num carro XPTO. E a vida acontece num UAU instantâneo. Chego à escola da Laura. Chego a casa. João chega a casa. Finalmente, os meus meninos estão comigo. Banhos, jantares, refilices, resmunguices, acoitisses, castiguices. Finalmente, os meus meninos sentados, os dois , no sofá. Dentes mal lavados, mas com o objetivo cumprido : calados.

Sento -me com eles a ver a parva da Violeta e misturamos alguma conversa sobre as escolas de ambos. Com os olhos a suplicarem-me por fecho de expediente, liga-me o Rui, e em modo acelerado. Trabalho a pingar e quase a entrar para estúdio. Diz que me ama e pergunta como estão a correr as coisas em casa. A vida acontece numa resposta instantânea que se apenas se pensa: " eu amo-te, amor. E as coisas estão calmas.” Estive quase, mas fui subitamente interrompida por uma solicitação choramingosa do João: queria fazer cocó e estava muito aflitinho. Respirar fundo, responder ao Rui: " amor, amo-te muito. Já te ligo... O João está em stress por causa do cocó." A vida avança ao ritmo de uma vontade de fazer cocó.” A última coisa que ouvi do meu marido, nesse dia: "falamos, então, amanhã, bebé. Vou agora para estúdio."
Pois é: desde que haja sempre um amanhã, que Deus nos dê forças para irmos em frente; desde que haja sempre um amanhã, que tenhamos muitos mais stresses nesta vida. Cabeça erguida, soluções na cabeça, muito amor mas, acima de tudo, vontade de seguir.

Beijinhos.

( texto escrito em Março 2015)

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