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Helgarias

Tenho 20 seguidores fieis no meu FB. Acho que dá para ter um Blog. Sejam bem-vindos! Beijinhos.

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Uma viagem de autocarro

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Para quem não anda de transportes públicos, este texto vai ajudar um pouco a perceber o quanto pode ser divertida uma viagem de autocarro. Desde que subo as escadas, com os meus saltos altos, até ao momento em que me consigo encaixar, num minúsculo lugar, ao lado de alguém que ocupa os dois, tudo pode acontecer.
Ontem, tive a sensação de estar a ser figurante de uma serie do syfy. Subo as escadas, ponho o passe na maquineta e dá-me sinal vermelho, ou seja, documento inválido. Passo novamente, vermelho. Passo a terceira vez, vermelho. Uma velhota, igual à bruxa má que dá a maçã envenenada à branca de neve, tira-me literalmente o passe da mão e passa ela o cartão pela máquina: verde. Pronto. Sorte de bruxa. Eu, com pouca vontade, agradeço. A Bruxa, vira costas e senta-se com má cara. Weird.
Começo a andar por dentro do autocarro para descobrir o melhor sítio para me sentar. "Tudo ocupado. Não pode ser. Os meus pés não vão aguentar. Os saltos , os solavancos, a mochila do PC, a mochila da ginástica, a mala. Ai. Respira fundo Helga. Tu consegues. Quando a minha esperança começa a desvanecer-se, eis que avisto um lugar lá bem no cantinho.
O autocarro começa a andar. Eu, com as minhas 550 coisas na mão, prevejo que não vai ser fácil de alcançar aquela ilha paradisíaca, aquele pedaço de autocarro, aquele SPA, aquele lugar onde, finalmente, podia descansar os meus pés.
Primeiro obstáculo: dois carros de bebés. Viro de um lado, levanto do outro, espreme da direita, espreme da esquerda e lá consigo passar.
Segundo obstáculo: um Senhor, com um cheiro, digamos, nauseabundo, que se encontra precisamente no meio das três escadas internas. Escadas essas, por onde tenho que passar, para alcançar o meu pedacinho do céu. Não quero tocar no senhor. O senhor não percebe que eu preciso de passar. Espero uns segundos. Olho para as pessoas que estão por perto, com esperança que o avisem. Mas acredito que ninguém quer provocar no homem qualquer tipo de movimento. O cheiro espalhar-se-ia mais. Tem mesmo que ser: eu, com o meu dedo indicador, toco no ombro do senhor. Ele vira-se. Está justificado o silêncio das restantes pessoas. Bem, lá consigo passar, mas sem antes, ouvir o seguinte grunhir: “ parece que vai acampar.”
Respiro fundo, novamente. Ao chegar ao lugar – que ficava do lado da janela - deparo-me com uma senhora- sentada no lugar ao lado, com um sorriso literalmente de gozo. Sorrio, também. Inclino-me, mostrando a minha intenção de me sentar.
A senhora dá uma gargalhada silenciosa. Eu explico o que é uma gargalhada silenciosa. É uma gargalhada, que se nota pelas maminhas de 20 Kilos cada uma, a mexerem-se para baixo e para cima, mas sem emissão de qualquer som. Ainda bem. Caso contrário, já eram dois grunhidos. E não, não estou a ofender a senhora. Estou, simplesmente, a manifestar a minha irritação pelo facto desta querida ocupar dois lugares com: cebolas, batatas, couves, peixe, e pareceu-me, bananas, olhar para mim, e perceber que, no meio daqueles apertos, era impossível sentar-me no meu pedaço do céu, era impossível levar a cabo todas as diligências para poder ocupar aquele lugar. Claramente, ela deve ter visto o meu esforço épico para chegar ali e reparou, de certeza, na minha cara de frustração quando me deparei com o Continente inteiro , num só banco.
Respira fundo Helga.
Para terminar em beleza a minha frustração, ouço uma criança a dizer: “papá, porque é que esta senhora vem tão carregada? “
Resumindo: O resto da semana vou de carro, para esquecer.
Beijinhos

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